ALELUIA… ALELUIA… SERÁ?

São tantas, tão profundas e seguidas as nossas perdas ao longo dos anos, que ao nascer, uma pequena possibilidade de melhoria, nos surgem vários sentimentos: de esperanças, ansiedade, mas também desconfiança. O drama é que muitos dos passíveis de melhorias, continuarão injustiçados, humilhados, revoltados e que se perguntam: mas por que aconteceu comigo essa injustiça? O que fiz de errado? Qual foi minha culpa? Sou aposentado como os outros que têm ticket de alimentação e eu não!?

Porque, ao me associar à FUNCEF, fiz a escolha de um plano que nos prometia, não melhorias diferenciadas, mas sim, segurança absoluta e permanente garantida pela Caixa Econômica Federal.  E agora, somos obrigados a pagar uma dívida que não é nossa. Nossas vidas como aposentados serão de incertezas? Agora teremos que ficar cegos e mudos às novas perdas que aconteceram e continuam a acontecer?

Com essas diferenças de benefícios entre os iguais, começamos a sentir um misto de vergonha, pois não sabemos responder esses absurdos, esses desacertos e contradições administrativas, quando ocorrem – por via de consequência surgem uma mistura de inveja e revolta, que são sentimentos humanos quando se é injustiçado. O fato é que toda essa confusão, já que todos carregamos o céu e o inferno dentro de nós, naturalmente nossos pensamentos e raciocínio se voltam contra os nossos gestores.

Encarando esses monstros de frente, talvez seja possível lidar com eles sem nos entregar às suas artimanhas ou gastarmos tanta energia em criticá-los? Já que o convívio é inevitável. O melhor é conhecê-los e chamá-los pelos nomes. Essas pessoas são criaturas curvadas sob o peso do passado atordoados por sensações antigas limitando-os a uma visão defeituosa, que só podem ver o que querem ver. Só são compreendidos por seu grupinho, mas não por nossa comunidade economiária. Sem contato com a vida de sua comunidade e de suas dificuldades, procuram — não todos — uma saída para esse dilema, sem perder, contudo, a “capacidade” em concentrar-se no estudo e na descoberta de novas formas de agradar seus superiores e a administração, prejudicando naturalmente os empregados.

Nesses séculos XX, XXI foram produzidos milhões de especialistas. Necessitamos agora dar primazia aos homens de visão. Criou-se a expectativa de que a satisfação da necessidade material é mais importante que a lógica e a ética.  O fato é que as elites por estarem hoje, e desde sempre, entregues à formação de especialista, não pensando na formação de pessoas mais éticas e justas, tornando-as mais sensíveis as dores da sociedade. A razão do seu trabalho em relação com o mundo todo deve ser mais complexo por ser habitado por humanos.

O espírito de comércio desalojou a necessidade de uma vida mais racional e harmônica, criando uma concepção puramente materialista.

No 34º CONECEF, realizado em São Paulo, tratou-se de um tema que já havíamos considerado em trabalho no Simpósio da FENACEF anteriormente em Pernambuco – Porto de Galinhas: Assistência Médica aos nossos dependentes, filhos e pais. Na ocasião, o CONECEF sugeriu a aplicação dos lucros financeiros por 5 anos sucessivos, que o Saúde Caixa estava registrando e que eram anunciados com ar de superioridade para uma possível criação de uma Assistência Médica a familiares dos empregados da Caixa. Havendo essa utilização, o lucro material, continuaria a existir, mas passaria a ser lucro social com certeza. Contudo, entraram em cena os nossos monstros que em medicina estão classificados como “sociopatas”, que representam um perigo para a sociedade, mesmo que não matem alguém. Não são psicopatas e sim sociopatas. Parte da população, dependendo dos critérios usados, tem um cérebro capaz de sofrer com as próprias dores, de sentir medo, angústia e prazeres, mas suas emoções só dizem respeito a si mesmo.  Sem espírito crítico não conseguem se importar com as dores alheias, muito menos com aquela causada por eles. Esses são os sociopatas: sem saber entender da emoção alheia, têm apenas a liberdade de tomar decisões que mais o beneficiam (ganhando crédito junto aos seus superiores). São indivíduos perfeitamente racionais, assim fica possível manipular famílias, colegas e amigos. Não há remorso. O sociopata é um predador e só ele ganha com sua doença.

A sociopatia é um problema para a sociedade, uma doença que causa sofrimento… nos outros. Ela floresce facilmente em sociedade como a brasileira, que carrega uma “culpa” social imensa que aceita que o mau caráter de alguns também seja culpa dela e na verdade são como nossos políticos. E assim, os sociopatas, “pobrezinhos” fazem a festa. Quem precisa se cuidar somos nós: os que se preocupam com os outros e por isso, viram presas fáceis para os sociopatas. Para nós, o melhor tratamento é saber que o malvado existe, e fazer força para não se deixar virar vítima.

Resta-nos pedir socorro ao papai do céu, no sentido de que a decisão dessa proposta do CONECEF nos trará a “Implantação da Assistência Médica” aos parentes dos economiários e que não caiba a nenhum sociopata essa proposição.

Com muitas esperanças e fé, aguardamos uma solução para essa melhoria em nossos orçamentos (dos aposentados), sem qualquer aumento em nossos salários, já que ficamos livres das despesas com saúde dos nossos parentes próximos. Por último, lembro que os lucros não deixarão de existir, já que o número de participantes a pagar será maior, porém o lucro social será inestimável para os aposentados.

Que Deus nos abençoe!!!

Armando Filardi
Presidente da UNEICEF

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